PF indicia três alunos por fogo na CEU Inquérito responsabiliza, com base em material biológico e DNA, estudantes-moradores por incêndio em apartamentos de africanos DA REDAÇÃO A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito sobre o incêndio na Casa do Estudante Universitário (CEU) da Universidade de Brasília (UnB), em 28 de março de 2007, e indiciou três estudantes da instituição, moradores da casa, pelo crime: Roosevelt Reis, 32 anos; José Francisco Rodrigues de Araújo, 27 anos; e Wagner Guimarães Guedes, 30 anos. Eles foram indiciados por expor a vida e a integridade física dos alunos africanos a risco e causar danos aos bens de uma fundação pública federal (a UnB) e ainda aponta Wagner Guimarães Guedes, estudante de Engenharia Florestal, como o “mentor intelectual” dos outros dois. Para a conclusão do inquérito, a PF ouviu dezenas de alunos, de ex-alunos e servidores da UnB e avaliou ocorrências administrativas registradas na CEU; relatos policiais e perícia técnica, que encontrou digitais e material genético de Roosevelt Reis, estudante de Química, na garrafa usada para transportar a gasolina. Da PF, o documento foi encaminhado à Justiça Federal, que o enviou ao Ministério Público, órgão responsável por definir pela denúncia dos três pelo crime. De acordo com o inquérito assinado pelo delegado da PF Francisco Leite Serra Azul Neto, os fatos anteriormente registrados e relatados mostram “não se tratar de fato isolado, mas de uma crescente forma de demonstração de raiva e intolerância que se manifestou em protestos e, por último, fogo”. O reitor da UnB, Timothy Mulholland, elogia o empenho da PF na investigação do caso. "Esse crime é inominável e foi necessário o emprego da tecnologia mais avançada para identificar os suspeitos. Esperamos que a Justiça seja servida de forma exemplar. Com as informações da PF, nosso inquérito administrativo poderá concluir seus trabalhos", reforça Mulholland. RISCO – Segundo o inquérito da PF, o incêndio não se trata de fato isolado na CEU, mas sim de um “pico de violência e de intolerância político-social e de procedência nacional contra estudantes africanos (estrangeiros) que habitavam as unidades incendiadas” e ainda que “caso o incêndio não tivesse sido controlado em tempo, existia a possibilidade de propagação do fogo para outro alojamento”. Procurados na noite de 12 de setembro pela UnB Agência, os estudantes indiciados pouco falaram. José Francisco Rodrigues de Araújo, aluno do curso de Artes Plásticas, afirmou não ter relação com o assunto e fechou a porta do apartamento sem qualquer explicação. Já Roosevelt Reis (cujas digitais e cujo material genético foram identificados na garrafa que transportou o combustível e no fósforo que iniciou o fogo) relatou que ainda não havia sido informado sobre o resultado do inquérito e disse que não tinha nada a comentar: “Se tiver de dar explicações, não será à imprensa, mas ao juiz responsável pelo caso”. Wagner Guimarães Guedes, considerado o mentor intelectual da ação, foi procurado por telefone e em sua residência, mas não foi encontrado. DEMORA – O inquérito da PF ainda destaca que “alguns estudantes, movidos pela inveja e pela vontade de permanecer dominando a CEU, utilizando-se da Associação de Moradores (Amceu), criaram uma cortina de fumaça a fim de poderem discriminar a minoria dos 5% de estrangeiros moradores e praticar outros atos ilícitos, isolando os estrangeiros da comunidade para poder excluí-los do convívio dos demais colegas universitários e fragilizá-los”. O documento ressalta ainda que, do grupo liderado por Guedes, “nenhum dos representados sequer prestou socorro ou tentou ajudar a apagar o incêndio, pelo contrário, passou a justificar o incêndio como reação normal, denotando ausência de freios inibitórios e arrependimento, além do que tentaram montar uma história para encobrir a verdade real”. Finalmente, o inquérito explica a demora na elaboração dos laudos: “a demora se deve ao fato de a maioria dos possíveis suspeitos possuírem identidades de outros estados, sendo necessários os padrões destes suspeitos para a confrontação com as digitais encontradas, o que só ocorreu após o mandado de busca e apreensão, quando grande quantidade dos suspeitos espontaneamente as forneceu”. |
MEMÓRIA Na manhã de 28 de março de 2007, comunidade da Universidade de Brasília iniciou suas atividades assustada com a violência sofrida por estudantes africanos moradores da Casa do Estudante Universitário (CEU) na madrugada anterior. Eles acordaram por volta das 4h com as portas de seus alojamentos incendiadas e com muita fumaça no interior dos quartos. Grande parte deles escapou das chamas saindo pelas janelas dos apartamentos. O fogo atingiu quatro apartamentos. A primeira medida tomada pela UnB foi acionar as polícias Civil e Federal e remover as vítimas da CEU.
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