21/ 09/ 2007 - homenagem

Professor Emérito ao som de trompas

Bohumil Med é o primeiro docente do Departamento de Música da UnB a receber o título. Cerimônia foi na quinta-feira, dia 20

CAMILA RABELO
Repórter da UnB Agência

Daiane Souza/UnB Agência
Na UnB desde 1974, Med formou mais de 40% dos docentes do departamento

O cenário cultural de Brasília não seria o mesmo sem a contribuição do trompetista Bohumil Med. Em 1968, ele deixou seu país de origem, a então Tchecoslováquia, para integrar a Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro. Uma vez no Brasil, logo foi atraído pela oportunidade de desenvolver seu trabalho na capital federal. Em 1974, passou a lecionar no Departamento de Música (MUS) da Universidade de Brasília (UnB), onde atuou por 33 anos na formação teórica e prática de profissionais. Na instituição, esteve à frente ainda da criação dos cursos de bacharelado em Trompa e em Trompete. Hoje, mais de 40% do corpo docente do curso de Música foram alunos do pioneiro.

A dedicação de Med foi reconhecida pela UnB na tarde de quinta-feira, 20 de setembro. Ele foi o primeiro docente do MUS a receber o título de Professor Emérito - honraria concedida aqueles que alcançaram posição eminente na instituição. Como não poderia ser diferente, a cerimônia de outorga, realizada no Auditório da Reitoria da UnB, foi regada ao som de trombetas, metais, violinos e piano. "Eu me orgulho muito de fazer parte dessa classe. Fui e sempre serei um músico, que desempenhou o papel de professor", diz emocionado.

REFERÊNCIA - Para o homenageado, conhecido pela pontualidade nas aulas e pelo bom humor, o título significa não só o reconhecimento do trabalho desenvolvido na UnB, mas também a valorização da docência. "Não precisaria ser o primeiro, sei que muitos outros músicos de prestígio, que passaram pela instituição, mereceriam o título", afirma. O reitor da universidade, Timothy Mulholland, ressalta que a contribuição de Med para a música brasileira vai além dos limites da instituição e de Brasília. "É sem dúvida uma referência. Além de músico e professor, ele escreveu livros sobre teoria musical que são adotados em todo o Brasil", elogia.

Daiane Souza/UnB Agência
Para Suzete, Med foi importante para ampliar a extensão do MUS

A diretora do Instituto de Artes (IdA) da UnB, Suzete Venturelli, dividiu por quatro anos a direção da unidade com Med, que ocupava o cargo de vice-diretor. Para ela, a atuação do professor foi fundamental para diversificar as propostas de extensão. “Ele realizou ações importantes para a divulgação da música para a comunidade, assim como organizou uma série de atividades voltadas ao público externo”, conta. Já a esposa do homenageado, Regina Lopes, destaca a disciplina e a extrema dedicação de Med ao trabalho. Segundo ela, não havia contratempo que o impedisse de dar aulas. “Nisso, nada o derrubava. O compromisso com os alunos e a seriedade com que encara a música são muito grandes”, reforça Regina.

Daiane Souza/UnB Agência
Bezerra foi aluno de Med: "Não me lembro de nenhum atraso"

O trompetista formado pelo UnB em julho de 2007 Anderson Bezerra, 22 anos, chegou a fazer mais de três disciplinas com o Emérito e não lembra de nenhum atraso ou falta. “Foi meu primeiro professor de trompa, o que aprendi com ele vou levar para a vida toda”, revela. O músico Alciomar Oliveira, 35 anos, formado na primeira turma de bacharéis em Trombone da UnB, em 1994, acredita que as dicas de Med foram um diferencial para a sua atuação nos palcos. “Ele tinha preocupação em discutir a emoção e sensibilidade nos palcos e os quesitos exigidos no mercado”, afirma.

 
 

 

PERFIL

Bohumil Med graduou-se em Música, com habilitação em Trompa, pelo Conservatório de Praga, na então Tchecoslováquia, país em que nasceu. Concluiu curso de especialização na mesma instituição e na Academia de Artes Janeck (também na Tchecoslováquia). No Brasil desde 1968, atuou na Orquestra Sinfônica Brasileira e lecionou no Instituto Villa-Lobos, ambos no Rio de Janeiro. É professor do Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) desde 1974. Na instituição, foi responsável pela criação dos cursos de Bacharelado em Trompa e em Trompete.

Atuou no Quinteto de Sopros da UnB, entre 1974 e 1990, período em que se apresentou em diversos países da América do Sul e Central, como Costa Rica, México, Venezuela e Argentina. Ocupou ainda o cargo de vice-diretor do Instituto de Artes da universidade, entre 2002 e 2006, colaborando para o crescimento das atividades de extensão. Aposentou-se em março de 2007. Publicou quatro livros, entre os quais destacam-se Teoria da Música, utilizado em escolas de todo o Brasil, e Vida de músico não é sácil, um manual para quem deseja dedicar-se à profissão, lançado em 2004.

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