09/ 08/ 2006 - CORREIO WEB

GDF regulariza e entrega lotes da Vila TeleBrasília

Após 50 anos de espera, os três mil moradores da Vila Telebrasília vão poder registrar seus lotes. A governadora Maria de Lourdes Abadia assinou o projeto urbanístico do local nesta terça-feira. Segundo a secretária de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), Diana Meirelles Motta, esta é última etapa de regularização da área. Apesar disso, os moradores ainda pedem infra-estrutura no local. A governadora garantiu que o processo de licitação para obras de drenagem e pavimentação ficará pronto no próximo dia 24. O custo das obras é de R$ 4 milhões.

Depois da regulamentação do projeto urbanístico, a Seduh vai elaborar uma descrição da área com o quadro demonstrativo de todos os lotes da região. O processo irá para o cartório, onde os moradores registrarão seus imóveis. “Agora com a regularização, o governo pode implantar obras de infra-estrutura, como pavimentação”, explica Diana Motta.

Para agilizar o processo de regularização, a União e o GDF formaram um comitê para estudar questões fundiárias na área. Após estudar o plano urbanístico da Vila, elaborado em 2007, o grupo estabeleceu algumas mudanças no projeto. Segundo Diana Motta, a principal alteração é a ampliação de áreas verdes, tanto dentro da Vila, como no entorno. “A ampliação de áreas verdes melhora a qualidade de vida dos habitantes. Aumenta a quantidade de praças e locais para lazer”, explica Motta.

O presidente da Associação de Moradores da Vila Telebrasília, Antônio José Carvalho, comemora a regularização, mas reclama da falta de infra-estrutura no local. Segundo ele, a prioridade dos moradores é a pavimentação. Ele reclama que, apesar do local ter rede de captação de águas pluviais, o sistema não funciona porque não há asfalto. “As ruas ficam alagadas no período de chuvas porque não há drenagem da água”, reclama.

Outra reivindicação dos moradores é a construção de uma escola na Vila. Atualmente, as crianças estudam em uma escola que fica na 416 Sul. “Eles têm que atravessar seis pistas de trânsito rápido para chegar à escola”, conta Carvalho. Outro pedido é a construção de um posto policial na cidade. A sub-administradora da Vila, Ilza Pereira, explica que a cidade é tranqüila, no entanto, explica que o posto é uma reivindicação antiga dos moradores.

Diante das reclamações, a governadora, afirmou que vai pedir à Secretaria de Planejamento a instalação de gramado e alambrados no campo de futebol da Vila. “Se não der agora, vamos colocar no orçamento de 2003”, promete. No mesmo tom, a governadora se comprometeu a acelerar o processo de regularização do Itapoã, Estrutural e Arapoanga. “A nossa meta é resolver as questões destes locais”, afirma.

História

A Vila Telebrasília começou em 1956 com a chegada dos trabalhadores da construtora Camargo Corrêa, que chegaram para construir a capital. Depois, vieram os funcionários da antiga concessionária de telefonia, Telebrasília. Como na Vila ainda vivem pioneiros, os moradores não acreditam que a regularização aumentará a especulação imobiliária, ao contrrário do que aconteceu no Parque Telebrasília. Um estudo da Universidade de Brasília mostrou que 60% dos lotes parcelados foram vendidos. “Nossa Vila tem uma estrutura diferente dos outros parcelamentos de Brasília. Não recebemos os lotes através de especulação imobiliária, e sim porque somos pioneiros”, explica Carvalho.